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      DEPRESSÃO
      Um problema que afecta muitas pessoas
  DEPRESSÃO É UM PROBLEMA SÉRIO
  Conheça as causas mais comuns e o tipo de tratamento
O transtorno depressivo maior, também chamado de perturbação depressiva major em Portugal, é um transtorno psiquiátrico que afeta pessoas de todas as idades. Caracteriza-se pela perda de prazer nas atividades diárias (anedonia), apatia, alterações cognitivas (diminuição da capacidade de raciocinar adequadamente, de se concentrar ou/e de tomar decisões), psicomotoras (lentidão, fadiga e sensação de fraqueza), alterações do sono (mais frequentemente insónia, podendo ocorrer também hipersonolência), alterações do apetite (normalmente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite), redução do interesse sexual, retração social, ideias suicídas e prejuízo funcional significativo (como faltar ao trabalho ou perda de desempenho escolar).

O transtorno depressivo maior diferencia-se do humor "triste", que afeta a maioria das pessoas regulamente, por se tratar de uma condição duradoura (a maior parte do dia, quase todos os dias, pelo menos 2 semanas), de maior intensidade ou mesmo por uma tristeza de qualidade diferente da tristeza habitual, acompanhada de vários sintomas específicos e que trazem prejuízo à vida da pessoa. A distimia é um outro tipo de transtorno depressivo caracterizado por sintomas de menor intensidade, mas com caráter bastante crônico (a maior parte do dia, quase todos os dias, pelo menos 2 anos). Ou seja, depressão não é tristeza. É uma doença que precisa de tratamento.

A DEPRESSÃO É UMA DOENÇA PSIQUIÁTRICA QUE AFETA UM EM CADA CINCO PORTUGUESES

Não é um estado de espírito ou sentimento. É uma das principais causas de incapacidade e de perda de anos de vida saudáveis.

O QUE É ENTÃO A DEPRESSÃO? VAMOS VER COM MAIS PORMENOR ...

A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.

Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa. No entanto, se os sintomas se agravam e perduram por mais de duas semanas consecutivas, convém começar a pensar em procurar ajuda.

A depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, e se não for tratada, pode conduzir ao suicídio, uma consequência frequente da depressão. Estima-se que esta doença esteja associada à perda de 850 mil vidas por ano, mais de 1200 mortes em Portugal.

A depressão pode ser episódica, recorrente ou crónica, e conduz à diminuição substancial da capacidade do indivíduo em assegurar as suas responsabilidades do dia-a-dia. A depressão pode durar de alguns meses a alguns anos. Contudo, em cerca de 20 por cento dos casos torna-se uma doença crónica sem remissão. Estes casos devem-se, fundamentalmente, à falta de tratamento adequado.

A depressão é mais comum nas mulheres do que nos homens: um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde, em 2000, mostrou que a prevalência de episódios de depressão unipolar é de 1,9 por cento nos homens e de 3,2 por cento nas mulheres.

QUAIS SÃO OS FACTORES DE RISCO?

● Pessoas com episódios de depressão no passado
● Pessoas com história familiar de depressão
● Pessoas do género feminino – a depressão é mais frequente nas mulheres, ao longo de
   toda a vida, mas em especial durante a adolescência, no primeiro ano após o parto,
   menopausa e pós-menopausa
● Pessoas que sofrem um qualquer tipo de perda significativa, mais habitualmente a
   perda de alguém próximo
● Pessoas com doenças crónicas - sofrendo do coração, com hipertensão, com asma,
   com diabetes, com história de tromboses, com artroses e outras doenças reumáticas,
   SIDA, fibromialgia, cancro e outras doenças
● Pessoas que coabitam com um familiar portador de doença grave e crónica (por exemplo,
   pessoas que cuidam de doentes com Alzheimer)
● Pessoas com tendência para ansiedade e pânico
● Pessoas com profissões geradoras de stress ou em circunstâncias de vida que causem stress
● Pessoas com dependência de substâncias químicas (drogas) e álcool
● Pessoas idosas

É POSSÍVEL PREVENIR A DEPRESSÃO?

Como em todas as doenças, a prevenção é sempre a melhor abordagem, designadamente para as pessoas em situação de risco, pois permite a intervenção precoce de profissionais de saúde e impede o agravamento dos sintomas.

Se sofre de ansiedade e/ou ataques de pânico, não hesite em procurar ajuda médica especializada, pois muitas vezes são os primeiros sintomas de uma depressão.

Se apresenta queixas físicas sem que os exames de diagnóstico encontrem uma explicação então aborde o assunto com o seu médico assistente.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DE DEPRESSÃO?

A depressão diferencia-se das normais mudanças de humor pela gravidade e permanência dos sintomas. Está associada, muitas vezes, a ansiedade e/ou pânico.

Os sintomas mais comuns são:

● Modificação do apetite (falta ou excesso de apetite)
● Perturbações do sono (sonolência ou insónia)
● Fadiga, cansaço e perda de energia
● Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima, sentimentos de culpa
   e sentimento de incapacidade
● Falta ou alterações da concentração
● Preocupação com o sentido da vida e com a morte
● Desinteresse, apatia e tristeza
● Alterações do desejo sexual
● Irritabilidade
● Manifestação de sintomas físicos, como dor muscular, dor abdominal, enjoo


Como se diagnostica a depressão?

Pela avaliação clínica do doente, designadamente pela identificação, enumeração e curso dos sintomas bem como pela presença de doenças de que padeça e de medicação que possa estar a tomar.

Não existem meios complementares de diagnóstico específicos para a depressão, e a bem da verdade, tão pouco são necessários: o diagnóstico clínico é fácil e bastante preciso.

Dirija-se sempre ao seu médico de família ou clínico geral: estes médicos podem reconhecer a presença da doença, e caso considerem necessário, podem contactar com um médico psiquiatra para esclarecimento do diagnóstico e para orientação terapêutica (o medicamento a usar, a dose, a duração, a resposta esperável face ao tipo de pessoa, a indicação para um tipo específico de psicoterapia, a necessidade de outros tipos de intervenção, etc.).

Como se trata a depressão?

Normalmente, através do uso de medicamentos, de intervenções psicoterapêuticas, ou da conjugação de ambas.

As intervenções psicoterapêuticas são particularmente úteis nas situações ligeiras e reactivas às adversidades da vida bem como em associação com medicamentos nas situações moderadas e graves. A decisão de iniciar uma psicoterapia deve ser sempre debatida com o seu médico: a oferta de serviços é grande, não é auto-regulada, e é difícil a pessoa deprimida conseguir escolher o que mais lhe convém sem ajuda médica.

Os medicamentos usados no tratamento das depressões são designados por antidepressivos. Estes medicamentos são a pedra basilar do tratamento das depressões moderadas e graves e das depressões crónicas, podendo ser úteis nas depressões ligeiras e não criam habituação nem alteram a personalidade da pessoa. Com a evolução da ciência e da farmacologia, estes medicamentos são cada vez mais eficazes no controlo e tratamento da depressão, nomeadamente por interferência com a acção de neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, no hipotálamo, a zona do cérebro responsável pelo humor (emoções).

Se o médico lhe prescrever medicamentos antidepressivos, siga as suas indicações e nunca pare o tratamento sem lhe comunicar as razões. Estes medicamentos não têm efeito imediato: pode demorar algumas semanas, 4 a 6, até começar a sentir-se melhor. O tratamento dura no mínimo quatro a seis meses. Obtenha toda a informação e esclareça todas as dúvidas com o seu médico.

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